Capitalismo e destrutividade do meio ambiente
A poluição do
ar está tirando, no norte da China, quase seis anos de vida das
pessoas! Estudo feito por especialistas chineses, americanos e
israelenses mostra o criminoso legado de uma política econômica
desastrada que distribuiu carvão de graça para o aquecimento
residencial. Isso provocou doenças cardíacas e respiratórias em 500
milhões de pessoas do norte do país, cujas vidas estão sendo encurtadas,
em comparação com as pessoas do sul (Valor Econômico de 09/07/13, pág.
A9). Claro que também muitas vidas foram salvas ao evitar o frio do
inverno. Mas o progresso e o crescimento econômico devem ser pensados
para o bem da humanidade, não para a sua destruição.
Se
um sujeito desfere um tiro e mata outra pessoa, não em legítima defesa,
é tido como criminoso. E por que não dizer que é criminoso quem mata
outras pessoas como decorrência de uma atividade econômica ou de um produto?
Não podemos mais, em pleno século 21, aceitar a destruição do nosso
planeta, sobretudo quando produto de um capitalismo egoísta e aético.
Para além de criador de oportunidades e de avanços, o modelo capitalista
neoliberal e neoescravagista também se caracteriza pela injustiça e
pela destrutividade.
A impaciência com as instituições políticas que governam o planeta
bem como os sinais mais do que evidentes de exaustão da economia de
mercado livre, sobretudo depois da crise financeira de 2008, nos EUA
(sub-prime), recheada de condutas escandalosamente ilícitas, conduzem à
elaboração de uma mudança profunda, mesmo porque não se pode ignorar que
a base de sustentação da acumulação primitiva do capital é também a
destruição de tudo quanto diz respeito à vida: destrutividade da
natureza (do meio ambiente), do emprego (o Brasil, nesse item, ainda é
uma das raras exceções, mas já caminha para o sinal amarelo, com os
números de maio de 2013), da segurança e, acima de tudo, de muitos seres
humanos que se transformaram em “lixo” (consoante Bauman).
A deteriorização do meio ambiente
e a ameaça à sustentabilidade, como enfatiza Amartya Sen (Desarrollo y
crisis global, págs. 52 e ss.), são adversidades compartilhadas que o
mundo tem que enfrentar de maneira coletiva. “A cegueira da economia de
mercado em relação às preocupações ecológicas foi identificada por
muitos como uma causa importante de preocupação no momento de avaliar as
perspectivas futuras”. A destruição do meio ambiente, concluiu o autor
citado, requer um enfoque global e não uma análise contratualista
limitada a um estado soberano. Necessitamos, nessa área, de um acordo
institucional internacional. Há uma série de assuntos, no mundo
globalizado, que fogem da esfera privada de cada soberania. Além da
sustentabilidade do meio ambiente, o tema das drogas se insere nesse
rol.
Temos capacidade para transformar o meio em que
vivemos (a biosfera), podendo conduzir nosso comportamento tanto para
seu aprimoramento como para sua destruição (somos um “homo faber”, ou
seja, fabricamos nossa realidade). Nós é que fazemos nossas eleições,
dentro de certas circunstâncias. De qualquer modo, o mundo que criamos
também nos recria. Inventamos a internet, e hoje é ela que nos reinventa
diariamente. Sendo assim, se inventamos algo aético (ou cujo uso seja
aético), ele se volta contra nós dessa mesma maneira. Também a técnica
não é um mundo alheio à moral (e à ética), como enfatiza fortemente
Carlos París (Ética radical).
Nós interagimos com a natureza, com
a tecnologia, com os animais e com os seres humanos. E não podemos
fazer isso de forma irresponsável. Respeito ao próximo tem hoje o
significado de respeito a tudo que nos cerca vitalmente (tudo e todos).
Fala-se aqui em “dilatação das nossas responsabilidades,ou seja,danossaética”(C. París). FONTE http://www.jb.com.br/sociedade-aberta
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